O Universo da Universidade

 

 

            Uma característica que acho interessante na PUC é um pensamento mais humano mesmo nas exatas e pelos de exatas, quer sejam professores, quer sejam alunos. Seguindo este pensamento é que peço licença para imitar uma “mania” dos de humanas e recuperar um pouco do significado original da palavra universidade. Ela vem do latim “universitas” que significa universo, o todo, totalidade, e só depois foi empregada para uma instituição de ensino.

 

            Não quero aqui criticar se a PUC tem feito jus ao título de universidade. Muito pelo contrário, quero refletir se nós temos feito jus a esse título. Será que temos sido meros calculistas decoradores e aplicadores de fórmulas? Ou será que, ao menos tentamos, nos inserimos em um contexto maior? Mesmo que seja só um pouco.

 

            Com que postura encaramos o fato que dentro em pouco seremos profissionais formados? Será que amanhã será suficiente uma postura semelhante a ir para a faculdade, conversar com os amigos, assistir aula, voltar pra casa e sair pra uma balada ou um churrasco com a turma de vez em quando? Ou será que precisaremos ser mais determinados, mais “brigões”, mais conscienciosos, mais altruístas, mais inconformados!? Não, não sou e nem pretendo ser filósofo e, como as pessoas de exatas costumam ser práticas, vou tentar.

 

            Que tal nos engajarmos mais em nossa comunidade “puquiana”? Melhorar nosso ambiente de estudo e o nosso próprio estudo. Fortalecer as representações estudantis, do representante de turma ao centro acadêmico. Levar sugestões, reclamações, ajudar, manter-se informado.

 

            Que tal fazer algo para ajudar a sociedade? Doar um alimento, doar sangue, doar um agasalho. Participar de uma ação social. Essas coisas deveriam partir da universidade para o universo.

 

            Que tal discutirmos um pouco mais, dentro da universidade, “os problemas que nos cercam lá fora”? E que tal levarmos um pouco mais das soluções que aprendemos aqui dentro para fora? Por que não cobramos melhores condições de ensino para discutir os problemas e as soluções? Por que não buscamos ampliar nosso leque de conhecimentos ao invés de nos tornarmos grandes especialistas encabrestados? Por que, mesmo na hora de pensar em ganhar dinheiro, não pensamos em empreendedorismo e não em altos cargos executivos?

 

            Já que fazemos parte de uma “elite” cultural deste país, por que ao invés de empinarmos nossos narizes e levantar os vidros que nos separam do mundo, não abrimos nossas bocas e arregaçamos nossas mangas? Pode parecer um discurso radical, coisa que está ficando fora de moda em nosso país, mas quero dizer apenas que se cada um fizer um pouco, podemos melhorar a nós mesmos, à nossa universidade e ao nosso país. Basta apenas uma nova atitude — pouco, não precisa ser muito — mais condizente com o universo de nossa universidade. Nosso universo, nossa universidade.

 

 

Filippo Valiante Filho

3 de Fevereiro de 2003