A PUC-SP e o Retrato do Brasil

 

 

            Nossa faculdade já foi (é?) símbolo de luta pela democracia e pela liberdade. Hoje, após várias eleições internas, algumas externas e às vésperas de mais uma, vejo a PUC-SP como um retrato do Brasil.

 

            Quem tem a maior parte do poder são pessoas que estão lá há muito, sem serem questionadas, sem oposição, quase por imposição, mesmo em meio a mais plena democracia, o que se convencionou chamar de coronelismo. Não estou colocando aqui que sejam todas má gestões, há sim exceções e espero, a maioria. Outra classe prefere usar o nome da instituição e seus cargos para promoção, vendendo uma imagem que nem sempre é verdadeira. Por fim há as pessoas comuns, aquelas que não se candidatam, mas têm em suas mãos, através do voto, o poder de decidir o futuro. O problema é que essas mesmas pessoas parecem cada vez mais alheias a política, parecem cada vez menos querer assumir a responsabilidade da escolha. Porém, ao mesmo tempo, há uma massa significativa atuante, politizada e militante. Algo como uma polarização entre oito e oitenta, ou talvez algo como pessoas que resolvem parar, pensar, questionar, falar e agir e outras que ficam apenas pelo questionamento.

 

            Talvez seja um interessante paralelo entre a democracia brasileira e uma das mais democráticas instituições filhas desta pátria amada, ou talvez seja delírio de um reles estudante. Quem sabe, haja até um meio termo ? Esta análise deixo para o leitor, para os cientistas políticos, os sociólogos e os de Humanas.

 

            Eu só espero que possamos escolher muito bem nossos candidatos aos cargos executivos e legislativos. Que possamos romper com o "status quo" sempre que necessário. Que possamos avaliar o que é melhor e não o que é mais conveniente ou teoricamente seguro. Só espero que aqueles que usarem o nome das instituições possam honrá-las e não usá-las como cabo eleitoral passivo, indefeso, a cada eleição. Só espero que os eleitores possam adquirir uma consciência crítica e não sucumbir a informações distorcidas ou discursos retóricos, mas que possam buscar a verdade e lutar por ela. Só espero que isso possa acontecer neste mês de outubro e em todas as eleições que vivermos, para os cargos executivos e legislativos deste país, para os cargos docentes e representações estudantis de nossa universidade e para todos os processos democráticos que participarmos ao longo de nossas vidas.

 

            Assim, espero que nós mesmos, nosso país e nossa universidade possamos a cada dia caminhar para melhor.

 

 

Filippo Valiante Filho

23 de Setembro de 2002